Costuma-se dizer: depois da tempestade vem a bonança, mas no nosso caso foi ao contário, depois da bonança chegou uma tempestade! Ainda ontem partilhámos beijos, sonhos, segredos que nem os nossos pais conhecem, contei-te coisas que nem o meu melhor amigo e confidente sabe... para depois acontecer isto!
Hoje a minha vida iria começar! Ter alguém a meu lado a 200% foi o que sempre quis e lutei, mas nem sempre uma luta resulta em glória! Lembro que me enviaste uma mnesagem às 11h, estava eu a dormir, a dizer:
- Olá bom dia! Sabes onde estou? Na praia, ai que moca de sono! Espero que tejas bem, beijinhos**
Disse-te qualquer coisa do género:
- Bom dia AnJo, obrigado por tudo e pela noite de ontem, estará guardado no meu coração, e não te preocupes, é um segredo nosso!
Coombinámos um passeio ao fim do dia, um dos nossos primeiros passeios como, pensava eu, namorados! O beijo que me deste quando chegaste ao carro foi um normal, na boxexa relativamente mais prolongado que os que me tinhas dado antes, é certo, mas não foi aquele beijo, um igual aos muitos que partilhámos ontem... Deixámos o carro em frente à praia e fomos pelo passadiço até a uma praia que ficava ali próxima, eram seis da tarde, não havia muita gente, apesar de já estarmos em Julho, dia 4 (para não te esqueceres!). Saímos do carro, abraçaste-me e juntos fomos abraçados pelo passadiço, em ritmo normal de passeio e sincronizados no andar... Na primeira abertura de passadiço descemos até ao areal e à beira-mar me abraçaste e partilhaste vários segredos, falámos do que foi a noite de ontem, e como tinha sido especial. Todas as oportunidades que tive beijei o teu cabelo, a tua testa mas nunca corri o erro de beijar os teus lábios, é um facto que estavas encostada a mim, sentia o teu peito apertado contra o meu, não me vou esquecer daquele momento: só nós, a praia deserta e o mar, com o som que lhe é característico num típico final de tarde de verão... O sol começava a dar sinais de querer fugir mas nós permanecemos, imóveis, abraçados num forte abraço. Senti-te distante, pensativa! Foi a minha vez de perguntar:
- Em que pensas!?
- Nada! Tá tudo bem!
Voltei a repetir-te tudo o que disse na noite anterior, sobre ter medo que isto seria um sonho e que não tardaria muito em acordar, sorriste para mim com aquele sorriso capaz de derreter um bloco de gelo na Antártida. Se no momento não tínhamos uma canção (para lá da tua) acho que se aplicava muito bem o tema da LeAnn Rimes "How do I live without you". Imaginei-me a tocar essa beleza ao piano e tu mais uma vez a chorar abraçada a mim. Foram tantas as conversas que me perco só de pensar nelas, e diria até, que me dói pensar... Quero tanto esquecer o facto que por momentos te sentiste em mim (e eu em ti) e passado umas horas tudo voltaria a ser normal, dois amigos. Regressámos ao carro e deixei-te em casa, pediste-me para estacionar um pouco mais à frente (não sei se por vergonha se por segurança). Olhaste-me nos olhos (como sempre gostavas de fazer quando se tratava de um assunto sério) e disseste que estavas arrependida do que tinhas feito ontem, há poucas horas atrás, e que devíamos esquecer porque ainda não estavas preparada para ter um novo amor e que me adoravas (mas não amavas como eu)... Disseste:
- Podes desaparecer, não te condeno por isso! Mas eu para já não te consigo ver da forma como tu me vês a mim! Tomara eu conseguir porque era sinal que já tinha esquecido o passado e estaria a viver um presente bem mais bonito... Mas estou confusa e tu não mereces isso...!
Interrompi-te prontamente dizendo:
- Tu sentes-te confusa? Então porque me beijaste ontem vezes sem conta? E me fizeste acreditar que eu pela primeira vez, seria feliz, que tinha alguém a meu lado que gosta de mim pelo que sou e não pelo meu físico.
- Tens razão para estar triste comigo, mas é como te digo: se gostas de mim como dizes saberás esperar, mas se não conseguires esperar também não te condeno por isso, és muito especial para mim, já me deste coisas que nunca recebi do outro lado, elogias-me, dás-me atenção, dás-me um abraço sempre que eu preciso e sabes respeitar o meu espaço...
- Nunca pensei ouvir isto neste momento! Pensei que éramos felizes, que gostavas de mim e querias ficar comigo...
Lembro-me de ver a tua cara, parecia que estavas triste contigo mesma e ainda bem que estavas...
- Pela primeira vez senti-me feliz, alguém que me preenche totalmente...
- Dá-me um tempo! Disseste.
Despediste-te de mim com um beijo na minha testa, e pediste-me mais uma vez desculpa. Lembro-me que nesse dia tinha combinado jantar com os meus pais, cheguei com meia hora de atraso e ainda tive de os ouvir. Estava tão triste que levantei a voz por mais de duas vezes, vê lá! Fiquei triste contigo, e não estava a conseguir acreditar no que se tinha passado: há quase 24 horas mostraste-me um mundo novo, que eu poderia de facto ser feliz. Hoje há um enorme vazio e um sentimento de revolta... Não sinto vontade de te ver se bem que por dentro só há um nome, o TEU! Antes de me deitar sentei-me ao piano e toquei novamente a tua música. Pensei para mim mesmo:
"Não acredito que tenhas feito isto sem sentir nada por mim. Eu sei que te amo e vou-te mostrar que posso fazer realmente feliz!
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