terça-feira, 12 de outubro de 2010

Capítulo 3 "Nunca pensei..."

Tanto se tem passado nestes últimos dias, tantas têm sido as conversas (por sms, porque ainda não tenho àvontade suficiente para te ligar) mas sinto que estamos cada vez mais próximos, mais cúmplices. E como tal, marcámos um cafézito para pôr a conversa em dia. Fui-te buscar a ti e ao teu mano e fomos para o nosso café de eleição, bem no centro da nossa cidade, longe de pensar o que viria depois...

O teu irmão estava com um nervosinho que não o conhecia mas não disse nada, continuámos a falar de música (claro!) e dos projectos que poderíamos vir a concretizar. A uma dada altura o teu irmão perguntou-me se eu te deixava em casa, e eu na minha "inocência" disse que sim. Abandonou-me! Literalmente fiquei só contigo naquele café central com vista para uma casa que eu prefiro não dizer o nome... Estava um pouco preocupado porque não sabia se haveria tempo para conversa decente ou se haveria conversa (assunto) para desenvolver. Comecei a falar contigo sobre o tempo em que andávamos na mesma escola, falámos do teu trabalho e dos meus passatempos, ainda não conhecias a minha cadela, mas já sabias da sua existência. A fotografia? Bem, isso viria mais tarde. A nossa amizade estava cada vez mais sólida e nada melhor do que uma boa conversa, seguida de uma confissão, diria, muito própria e pessoal. Quando te deixei à porta de casa encostaste o banco para trás e começámos a falar sobre o que te atormentava, não te vi daquele teu jeito: a sorrir e quis tentar perceber o que se passava. Uma das coisas que sempre gostei em ti era a capacidade de argumentação e àvontade para falar, mesmo de temas complicados e particulares. Falaste-me da doença do teu mano e a forma como tiveste e tens de lidar com ela. Contaste-me também um pouco do que tem sido a tua vida (e como ingrata tem sido!), falaste-me do teu ex-namorado e algumas coisas que ele te fez que convém não recordar e que querias muito esquecê-lo. Daquela noite recordo-me de tudo, mas ainda mais do momento em que uma lágrima desceu pelo teu rosto a agradecer-me pelo incrível amigo que eu tenho sido. Para tentar amenizar as coisas disse:

- Eu sou assim! Quando sou amigo de alguém sou a 200%!

Senti uma enorme vontade de te abraçar naquele momento mas depois parei um pouco para pensar (sempre disseste que esse foi um ponto menos positivo de mim, pensar demais) e achei que nesse momento precisavas do teu espaço, aquele tal, que tu não gostas que as pessoas invadam, mesmo que gostes dessa pessoa. Também senti vontade de chorar quando falámos sobre a minha vida e as saudades que eu tinha do meu avô (desde sempre vi em Ti uma parte dele) e por isso sinto-me bem a teu lado. Foi uma noite especial, e nunca pensei, que essa seria uma noite que mudaria para sempre a nossa história. Lembro-me que te dei um beijo mais prolongado na boxexa e desejei-te uma boa noite. Cheguei a minha casa (não morava longe de ti) e passado pouco tempo recebi uma mensagem tua a dizer:

"Obrigado por tudo! Desculpa ter chorado à tua frente mas a minha vida não tem sido fácil. Mas eu sei que em ti posso confiar, beijinhos"

Nessa noite disse a mim mesmo: Ela é mesmo especial! Vou fazer de tudo para a ajudar, sem dúvida, ela merece!

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