quinta-feira, 17 de maio de 2012

Capítulo 8 "É e será..."

Ainda hoje, passado 24 horas do episódio que me deixou quase sem palavras, continuo sem perceber o que se passa na tua cabeça. Ontem, depois daquela nossa conversa que dizias que estavas arrependida e que tinhamos andado muito depressa, ainda não gostavas de mim o suficiente para me beijares mas cada vez que estavas comigo não consigas esconder a vontade de me beijar e de me dares a mão. Há não muito tempo li um livro de um tal de Jorge Manuel de Melo que tinha um título sugestivo "O amor é para os parvos", e veio-me à cabeça esse título: serei eu parvo e ter percebido mal? Será que os teus beijos, todos eles por mim sentidos não foram mais do que "beijos técnicos"? Sinceramente começo a não acreditar que há amor verdadeiro, já sofri muito, não esperava que me fizesses sofrer assim... Fui dormir a casa da minha tia e durante as horas que lá passei em frente ao computador fui fazendo umas "contas", do tipo:

- Como é que é possível me teres beijado se não sentias nada?
- Terás sentimentos? Ou o teu coração é imune a isso?
- Terá sido um sonho?
- Voltarás para mim? (Se alguma vez estiveste...)

Foram tantas as questões que coloquei a mim próprio que me levaram a desacreditar no amor e que ele, de facto existia. Para piorar as coisas mandaste-me uma mensagem a dizer que não me perdoavas se alguém soubesse por mim o que fizeste comigo no sábado (não! ninguém sabe!) Mas se não mudares a tua atitude garanto-te que vou contar a toda a gente (pensava eu para mim)... O tempo foi passando e na quarta-feira mandaste-me uma mensagem, estava eu no escritório, a perguntar se queria dar um passeio ao fim do dia na praia? Eu disse que sim mas pensei duas vezes. Mas se eu dissesse não poderias ficar chateada comigo, e não queria que acontecesse. Fui-te buscar à hora marcada, tu saíste pouco tempo depois... Sorriste para mim, deste-me um beijo na boxexa e partimos em direcção à nossa praia, que ficava um bocadinho para lá do passadiço... Nele víamos o hotel, o mar (mesmo ao nosso lado) e alguns casais a passear. Eu via-nos como um casal, tu é que nem por isso...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Capítulo 8 "Algo para ti..."

Há momentos na nossa vida que uma folha de papel e uma caneta são importantes, vitais para libertar os medos, espalhar desejos numa simples folha branca... Por me sentir "mal" com o que se está a passar esqueci por momentos o piano, porque já era tarde e peguei no meu "caderno de notas", senti a vontade e a liberdade (que o papel me dá) para escrever sobre TI! Acho que faz bem nestas alturas escrever... e então aqui vai o que escrevi:


Em qualquer folha que pegue
Em qualquer caneta que agarre
O meu pensamento e desejo é igual
Escrever

Não faço contas no papel
Não desenho uma casa
Mas consigo dizer
O que me vai na alma

Já escrevi sobre o meu Porto
Vou escrevinhando sobre:
O filme que ainda não vi
E as músicas preferidas que não escolhi

No meu mundo...
Nesse, onde entro discretamente
Mas nem por isso com medo
E reticente

Vou falando e divagando
Já dei por mim a conversar
Sobre um lugar que ainda não visitei
De uma música que não cantei

Pego no papel
Agarro na caneta
Tiro à sorte um tema
Que sai da minha gaveta

Abro a primeira
Sai desenhado um T
Abri outra e saiu
Um I

Junto as letras
E sem surpresas
O poema!
É sobre TI

Mas porquê?
Se estás longe...
De mim não queres saber
Vou perder o meu precioso tempo

Para sobre ti escrever?

Eu bem me parecia
Que isto da escrita
Não é normal

Fecho a caneta
Rasgo a pequena folha
Não gostei do que escrevi
Simplesmente porque estive a pensar... em TI!


Aproveitei esta fase menos positiva para escrever ainda mais, desta vez um texto livre que me apeteceu divagar...

- Se por momentos pudesse parar o mundo, viveria tudo de forma mais simples, apreciaria as coisas simples da vida de uma forma mais intensa. Não perderia a oportunidade de ligar aos meus amigos e dizer-lhes que são o meu mundo, o meu "Porto de abrigo". Se eu pudesse escolher um lugar para morar, escolheria um bem perto de ti, para te ouvir respirar, viveria ainda mais esse teu olhar, e viria com outros olhos a tua estranha forma de amar. Se me pedisses um estranho presente, não descansaria enquanto não o encontrasse. São tantas as coisas que me faltam fazer que não sei se vou ter tempo. Abraço-te sinceramente, beijo-te a testa, sinto o teu coração bater bem encostado ao meu. De noite despimo-nos de preconceito, unimo-nos num só, bebemos um café e apreciamos um cubano a meias e contemplamos o mundo lá ao fundo... Bem cá do alto, onde nem a águia mais poderosa consegue alcançar... no momento em que me amas, na noite ao luar, sussurras-me ao ouvido:

- Obrigado por me fazeres feliz! O que eu nunca tive em tanto tempo...!

A noite vai alta, o céu azul estrelado e os nossos corpos continuam entrelaçados. É hora de apagar a televisão, desligar a aparelhagem que no momento passava a nossa música, e voltar cada um ao seu mundo! Nesse mundo raramente estás presente, teimas em não me querer ao teu lado porque estás confusa. Não fico triste, não sinto qualquer dor, porque sei que todas as noites estarei contigo. O que temos não é mais que um sonho numa noite de verão. Ficarei feliz se um dia for bem real e que as noites que passei sozinho, apenas no meu pensamento, sejam suficientes para amar o teu corpo, sentir o teu respirar, e saborear o teu beijo. A casa lá no alto, no monte em que estivemos.... não é uma miragem, é antes uma realidade. A cama está feita de forma a te receber, com rosas vermelhas, morangos com chocolate e champanhe para comemorar esta nova fase, fase essa onde tornamos a ficção numa realidade. Se o meu corpo já merecia, imagina o meu coração!

Nunca te mostrei este desabafo mas penso que seria bom que o lesses! Envio-te na mesma uma mensagem de boa noite à espera de uma resposta, mas foi em vão... Hoje vou dormir e tu vais estar, ao meu lado, bem junto a mim. Dorme bem AnJo, até amanhã!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Capítulo 7 "O dia seguinte..."

Costuma-se dizer: depois da tempestade vem a bonança, mas no nosso caso foi ao contário, depois da bonança chegou uma tempestade! Ainda ontem partilhámos beijos, sonhos, segredos que nem os nossos pais conhecem, contei-te coisas que nem o meu melhor amigo e confidente sabe... para depois acontecer isto!

Hoje a minha vida iria começar! Ter alguém a meu lado a 200% foi o que sempre quis e lutei, mas nem sempre uma luta resulta em glória! Lembro que me enviaste uma mnesagem às 11h, estava eu a dormir, a dizer:

- Olá bom dia! Sabes onde estou? Na praia, ai que moca de sono! Espero que tejas bem, beijinhos**

Disse-te qualquer coisa do género:

- Bom dia AnJo, obrigado por tudo e pela noite de ontem, estará guardado no meu coração, e não te preocupes, é um segredo nosso!

Coombinámos um passeio ao fim do dia, um dos nossos primeiros passeios como, pensava eu, namorados! O beijo que me deste quando chegaste ao carro foi um normal, na boxexa relativamente mais prolongado que os que me tinhas dado antes, é certo, mas não foi aquele beijo, um igual aos muitos que partilhámos ontem... Deixámos o carro em frente à praia e fomos pelo passadiço até a uma praia que ficava ali próxima, eram seis da tarde, não havia muita gente, apesar de já estarmos em Julho, dia 4 (para não te esqueceres!). Saímos do carro, abraçaste-me e juntos fomos abraçados pelo passadiço, em ritmo normal de passeio e sincronizados no andar... Na primeira abertura de passadiço descemos até ao areal e à beira-mar me abraçaste e partilhaste vários segredos, falámos do que foi a noite de ontem, e como tinha sido especial. Todas as oportunidades que tive beijei o teu cabelo, a tua testa mas nunca corri o erro de beijar os teus lábios, é um facto que estavas encostada a mim, sentia o teu peito apertado contra o meu, não me vou esquecer daquele momento: só nós, a praia deserta e o mar, com o som que lhe é característico num típico final de tarde de verão... O sol começava a dar sinais de querer fugir mas nós permanecemos, imóveis, abraçados num forte abraço. Senti-te distante, pensativa! Foi a minha vez de perguntar:

- Em que pensas!?
- Nada! Tá tudo bem!

Voltei a repetir-te tudo o que disse na noite anterior, sobre ter medo que isto seria um sonho e que não tardaria muito em acordar, sorriste para mim com aquele sorriso capaz de derreter um bloco de gelo na Antártida. Se no momento não tínhamos uma canção (para lá da tua) acho que se aplicava muito bem o tema da LeAnn Rimes "How do I live without you". Imaginei-me a tocar essa beleza ao piano e tu mais uma vez a chorar abraçada a mim. Foram tantas as conversas que me perco só de pensar nelas, e diria até, que me dói pensar... Quero tanto esquecer o facto que por momentos te sentiste em mim (e eu em ti) e passado umas horas tudo voltaria a ser normal, dois amigos. Regressámos ao carro e deixei-te em casa, pediste-me para estacionar um pouco mais à frente (não sei se por vergonha se por segurança). Olhaste-me nos olhos (como sempre gostavas de fazer quando se tratava de um assunto sério) e disseste que estavas arrependida do que tinhas feito ontem, há poucas horas atrás, e que devíamos esquecer porque ainda não estavas preparada para ter um novo amor e que me adoravas (mas não amavas como eu)... Disseste:

- Podes desaparecer, não te condeno por isso! Mas eu para já não te consigo ver da forma como tu me vês a mim! Tomara eu conseguir porque era sinal que já tinha esquecido o passado e estaria a viver um presente bem mais bonito... Mas estou confusa e tu não mereces isso...!

Interrompi-te prontamente dizendo:

- Tu sentes-te confusa? Então porque me beijaste ontem vezes sem conta? E me fizeste acreditar que eu pela primeira vez, seria feliz, que tinha alguém a meu lado que gosta de mim pelo que sou e não pelo meu físico.

- Tens razão para estar triste comigo, mas é como te digo: se gostas de mim como dizes saberás esperar, mas se não conseguires esperar também não te condeno por isso, és muito especial para mim, já me deste coisas que nunca recebi do outro lado, elogias-me, dás-me atenção, dás-me um abraço sempre que eu preciso e sabes respeitar o meu espaço...

- Nunca pensei ouvir isto neste momento! Pensei que éramos felizes, que gostavas de mim e querias ficar comigo...

Lembro-me de ver a tua cara, parecia que estavas triste contigo mesma e ainda bem que estavas...

- Pela primeira vez senti-me feliz, alguém que me preenche totalmente...

- Dá-me um tempo! Disseste.

Despediste-te de mim com um beijo na minha testa, e pediste-me mais uma vez desculpa. Lembro-me que nesse dia tinha combinado jantar com os meus pais, cheguei com meia hora de atraso e ainda tive de os ouvir. Estava tão triste que levantei a voz por mais de duas vezes, vê lá! Fiquei triste contigo, e não estava a conseguir acreditar no que se tinha passado: há quase 24 horas mostraste-me um mundo novo, que eu poderia de facto ser feliz. Hoje há um enorme vazio e um sentimento de revolta... Não sinto vontade de te ver se bem que por dentro só há um nome, o TEU! Antes de me deitar sentei-me ao piano e toquei novamente a tua música. Pensei para mim mesmo:

"Não acredito que tenhas feito isto sem sentir nada por mim. Eu sei que te amo e vou-te mostrar que posso fazer realmente feliz!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Capítulo 6 "O dia M"

Lembro-me que tinhamos combinado um café para essa noite, mas fiquei com receio porque tu trabalhavas no dia a seguir. O teu irmão tinha um jantar mas tu disseste-me que ele vinha depois lá ter connosco, só que eu disse:

- Não! Gostava de te mostrar uma coisa, só a ti! Vamos tomar café a minha casa!

Já sabias o que eu te queria mostrar e ficaste na expectativa. Lembro-me que quando estavas a sair de casa vinhas a falar ao telefone ligou-te uma amiga a perguntar / insinuar sobre o que poderia vir... um caso AMOROSO! TInha sido o meu amigo que lhe tinha mandado uma boca do tipo:

- O que achavas se houvesse um casalinho entre nós!?

Nesse momento, lembro-me perfeitamente, olhaste para mim antes de sair do carro e perguntas-te o que eu tinha ido dizer ao meu amigo, e eu disse a verdade: Nada! Apenas lhe disse que tu estavas a ser uma amiga incrível, e que nos estávamos a dar muito bem, só isso! Fiquei tão enervado com essa situação que disse que me ia chatear à séria com ele mas tu proibiste-me de lhe falar porque senão também tinhas de ir falar com a tua amiga e chateava-se com ela, e querias que acontecesse tudo menos isso, porque ela era mesmo tua amiga... Tomámos o nosso café na cozinha, tranquilamente a conversar (eu continuava chateado e stressado!) e tu dizias que não valia a pena, que estava tudo bem, que boquinhas era normal haver, etc, etc. Foi então que descemos ao salão e o piano foi objecto principal durante um tempo. Lembro que comecei por tocar aquela música que tu cantaste comigo ao piano pela primeira, a "Como vai você" da Daniela Mercury e depois a "Eu sei" que entoaste magnificamente apesar dos meus erros (por nervosismo) no espectáculo de São João. Os dedos estavam finalmente a tremer menos e então disse-te:

- Olha! Gostava de te cantar a música que fiz para ti.

Estava tão nervoso... não tirei os olhos nem da letra nem do teclado (e eu que sabia perfeitamente onde estavam as notas). A música tinha uma melodia muito bonita e tu (admitiste depois) estavas frágil e não aguentaste. Quando eu cantei as últimas palavras saíste de ao pé de mim, pousaste os óculos em cima da tua carteira, paraste, olhaste para mim e vieste ao meu encontro... Foi nesse momento que soltei aquela frase estúpida da juventude:

- Queres namorar comigo!?

Lembro-me de olhar para ti, tinhas o teu braço apoiado no meu ombro, sorriste para mim e deste-me o maior abraço, durante cerca de cinco minutos nada disseste, deixaste-te ficar abraçada a mim, a soluçar (de alegria, espero eu!). Agradeceste o gesto, a prenda, que irias guardar para sempre no teu coração este momento mas que não estavas preparada para me dar a resposta. Lembro-me de ter olhado para o relógio, e ver a data: estávamos a 3 de Julho... Falaste-me novamente do teu ex-namorado e que ainda era muito cedo para ter uma nova relação, não pensavas apaixonar-te tão cedo. Mas lembro-me que depois na mensagem (e ainda a guardo) disseste:

- Obrigado! Este momento LINDO ficará guardado para sempre no meu coração! Desculpa não estar preparada para te responder mas vamos com calma! Se gostares de mim a sério saberás esperar!

Lembro-me que a resposta foi mais ou menos assim:
- Desculpa, mas precisava de dizer o que sentia por ti! Não te condeno por nada, espero é que não me deixes por algo que eu tenha dito ou feito! Guardarei para sempre este momento, foi mesmo especial! Um beijinho!

No dia seguinte enviei-te uma mensagem (em resposta à tua mensagem de bom dia) e no fim disse: Adoro-te! Ao que ela respondeu:

- Eu também te adoro, mas eu acho que tu me amas! Verdade!? Vemo-nos logo, bejinhos!

O dia passou depressa, quando dei por ela tinha a minha casa "invadida" pela família (materna) e falei com o meu tio sobre o poema que te tinha feito, que te tinha tocado essa música. Olhou para mim e disse:

- Fogo! Tàs mesmo apaixonado!

- Pois estou - Respondi eu! - Aí é que está o problema, porque não sei se ela gosta de mim!

- Mas já lhe disseste! Agora esperas que ela te dê algum sinal!


Mandaste-me uma mensagem a perguntar se eu queria tomar café: disse-te que sim, como é óbvio, combinei ir ter a tua casa e viemos tomar café a minha casa. Entrámos pela cozinha, ainda cá estavam as minhas tias e a minha mãe. Tomámos café em pé (apesar de haver cadeiras à beira) e descemos ao salão, onde mais uma vez tinha preparado algo para "nós", música agradável e uma boa conversa. A noite avançou sem darmos por isso, e estávamos sentados no sofá preto quando me pediste para que te dissesse o que sentia por ti. Lembro-me perfeitamente de fazer uma introdução / análise à Marcelo (de tão nervoso que estava) mas depois de me "acalmares" com a tua voz e poder de sedução disse:

- Estou apaixonado por ti! Amo-te!

- Agora sabes o que vai acontecer! Não sabes?!
Tiraste-me os óculos (que felizmente, me livrei deles em deterimento de lentes de contacto) e beijaste-me! Um beijo a sério, aqueles que só se vêm no cinema e pensamos:

- Dava tudo para ser actor e beijar esta actriz!

Beijámo-nos vezes sem conta, parecia um sonho! Aquilo não me estava a acontecer a mim! Lembro-me perfeitamente que por algumas vezes (estava meio descaído no sofá) e olhava o "infinito" ao que tu me perguntavas com uma voz doce, típica de um sonho:

- Em que pensas!?

A minha resposta das três vezes que me fizeste essa pergunta foi a mesma:

- Tenho medo que isto seja um sonho e que amanhã tudo acabe!

- Pensas demais! Vive este momento! Disseste-me várias vezes (tantas quantas vezes olhavas para mim e me achavas distante, não diria indiferente).

Foi assim, o começo da nossa HISTÓRIA! Se o final vai ser feliz? Apenas depende de nós para o ser assim!

Capítulo 5 "A canção"

Hoje, senti-me mais nervoso do que é costume, primeiro (apesar de já ser um acto natural, ir actuar no mesmo bar de sempre em Oliveira de Azeméis) tenho a responsabilidade de levar o teu irmão comigo e cantar com ele, que para mim, sempre foi um previlégio... Há dias tinha-te prometido que te entregava o dvd com as fotos do espectáculo em que fui vosso convidado e o concerto que eu realizei com um grande amigo meu, um grande músico em benefício para uma instiutição sedeada na nossa cidade. O espectáculo correu muito bem e contou com momentos de boa disposição e para o final de enorme emoção.

Recebeste-me como sempre, com um belo de um sorriso e um beijinho na boxexa, sorri para ti (nunca tinha feito assim tão discaradamente, por ter vergonha dos meus dentes ;) ) e disse-te:

- Vou tomar bem conta do teu irmão! Ele fica bem comigo!

Disseste:

- Disso não tenho dúvidas, senão não te confiava o meu irmão! Façam boa viagem e tenham um bom espectáculo, divirtam-se!

Bem! O que estava para acontecer, nem eu me queria acreditar. Não aconteceu nada de especial durante a viagem, fizemo-la normal mas durante o caminho fomos a falar sobre ti e sobre os teus problemas pessoais (sempre te considerei uma MULHER) e quando o teu irmão me contou alguns pormenores do que tinhas passado ainda subiste mais uns pontos na minha consideração. O teu irmão disse-me com uma voz tremida mas ao mesmo tempo segura:

- O próximo que fizer mal à minha irmã tem de se haver comigo!

Engoli a seco, devo dizer, nunca tinha visto o teu irmão daquela maneira, frio, distante, com raiva dentro dele. Claro que não! Mas o caso também não era para menos, falou-me das coisas que ele te fazia e das aventuras em que se meteu e tu ainda não sabes quantas foram.... Nunca contei nada ao teu irmão mas se calhar é melhor recuar um bocadinho no tempo e ver o que se passou daquela vez que fomos a Oliveira (ao mesmo bar) e tu foste no meu carro.... Lembro-me que quem veio ao meu lado foi o meu amigo Ed, e o teu irmão veio do lado direito. Tu, não sei se por instinto ou por "foi porque tinha de ser" sentaste-te atrás do meu banco. A viagem decorreu na normalidade mas já íamos a descer a IC para São João da Madeira (a minha segunda casa) e tu olhaste para mim pelo retrovisor, e eu, também não sei se por instinto ou porque "tinha de ser" olhei-te! Nunca tinha trocado um olhar assim, tão profundo, vi por breves instantes o teu mundo nesse teu OLHAR! Contaste-me mais tarde, que tinhas ficado envergonhada mas digo-te: disfarças-te mesmo bem! Foi nesse dia, no tal jantar/concerto em Oliveira que por destino, ou lá está, porque tinha de ser, ficaste bem junta a mim, mesmo ao meu lado, lembro-me que eu estava na cabeçeira da mesa, ou como se diz na gíria, na PRESIDÊNCIA! Foi nesse jantar que eu percebi (e tu) que alguma química havia entre nós. Foi tão importante esse convívio que me levou a escrever umas palavrinhas enquanto esperava pelo meu prato. Nesse dia perguntaste-me tanta coisa, falámos do passado, dos amigos que tínhamos em comum, dos momentos que vivemos na escola (mesmo sem nunca nos termos cruzado...) Foi nesse dia que tudo mudou em relação aos nossos amigos, o Ed afastou-se, pouco tempo depois quando tu achaste estranha a ausência ele desculpou-se:

- Tive que tratar da minha vida!

Não sei se engoliste ou não, eu não engoli de certo mas respeitei... Agora, que estás recordada vou-te "refrescar" a memória com o que foi dito no dia em que eu estive com o teu irmão em Oliveira. Lembro-me perfeitamente que nesse momento o cantor que estava comigo tinha engraçado contigo no jantar de anos dele, o tal em que nos conhecemos. Já não estava de bem com ele por algumas coisas que ele fez, inclusivé, foi injusto contigo passado uns dias... mas sempre eram 40 euros e o teu irmão como meu convidado musical! Troquei mensagens contigo durante o tempo em que estava a "arrumar" o palco, e numa delas disseste-me:

- Que declaração fizeste à Joaninha. Ela deve-se sentir uma sortuda por ter uma amizade tão forte contigo! Deves gostar ainda muito dela!

Lembro-me exactamente da resposta que te dei (apesar de não a ter guardada no telemóvel):

- Sim! A Joaninha e eu somos grandes amigos, a nossa amizade é muito forte, bem mais do que algumas pessoas pensam, mas o meu coração tem lugar para pessoas como tu! Quem sabe se um dia ainda te faço uma música...

Ao que tu disseste:

- Uma música!? Mas assim ficas com o teu coração dividido! Respondi-te na altura que a Joaninha era a "Menina Mulher" para sempre e que ninguém, mesmo ninguém conseguiria tirá-la do meu coração, tem o seu cantinho. E que tu me preenchias muito também. Lembro-me, e agora sorrio quando penso, que demoraste a responder e perguntas-te:

- Quer dizer que estou a um passo de preencher o teu coração?

Na altura respondi-te:

- Nunca terás o lugar da Joaninha, só vais poder ficar com 98%!

Enviaste-me um smile, desejaste-me um bom concerto e disseste: Quando chegarem e se eu ainda estiver acordada falamos um bocadinho...

Mas não foi possível! Lembro-me que foi um espectáculo que correu muito, muito bem, o pessoal que estava presente adorou, mas era hora de terminar. Então lançei o repto: o espectáculo vai continuar em modo unplugged lá em baixo no piano! Quem quiser está convidado! Incrível, mesmo! Foi uma noite óptima, o grupo que estava num jantar de aniversário juntaram-se à volta do piano, um deles tinha guitarra, lá estivemos durante quase uma hora a cantar músicas conhecidas, portuguesas e voltei a tocar uns originais, incluindo o teu! O teu irmão sorriu para mim, porque as pessoas que estavam connosco (o casal) não sabia que eu gostava de ti! O teu irmão também não sabia, mas suspeitava. Adoraram a canção... E tu!? Achas que a vais conseguir receber da mesma forma no teu coração!?

Capítulo 4: "Dizem que..."

Dizem que escrever faz bem e ajuda-nos a libertar o que vai cá dentro... Foi isso que eu decidi fazer. Conhecemo-nos há muito pouco tempo mas os momentos que temos partilhado são tão especiais que me levou a sentar ao piano e escrever-te uma canção... Não sei sinceramente como vais reagir, eu sei que a vou sentir quando te mostrar. Estamos em Junho, a noite de verão está quente, no meu quarto o velho Casio ajuda-me a viajar para um mundo, que não julgaria ser atingível por mim.

Os acordes que outrora aprendi são mais do que suficientes para agora poder compor, a tua imagem está em mim e o teu sorriso uma fonte inesgotável de inspiração. Começo por imaginar uma melodia que tenha a ver com alegria mas também um pouco de agonia, não sei qual vai ser a tua reacção ao ouvir-me cantar. Sempre tive um certo receio, acho mais até que é vergonha de cantar perante alguém, se bem que já dei alguns espectáculos com 200 pessoas a assistir na plateia, atentos às minhas palavras e aos sons da minha velha Aria, oferecida pelos meus pais nos anos, em 2001 entregue pelas mãos do meu avô, que já não está comigo, aquele que eu vejo quando olho para ti, não direi que é de sempre, mas desde que começámos a estar mais tempos juntos.

A música começou então a ser "desenhada", sem grande esforço a caneta foi escorrendo pelo papel, as ideias essas, vinham em catadupa da minha cabeça, ou diria, do coração! A letra, que agora transcrevo foi aquela que te mostrei (ainda ela não estava pronta mas o teu irmão percebeu logo que era para ti...


Até há bem pouco tempo
Nada sabia de ti
Foi um momento de sorte
Em que eu te conheci

Dá-me um abraço forte
Ou um minuto de atenção
Vem preencher um vago
Lugar do meu coração

Quando estou a teu lado
É impossível disfarçar
Posso até ter cuidado
Mas os teus lábios quero beijar

Vem comigo
Sente o Porto que vês em mim
Vamos escrever uma história
Com princípio, meio e fim

Vamos escrever um romance
Ou uma história d´ encantar
Promete não fazer suspense
Com o que eu te vou perguntar

História bem real
Com duas personagens principais
Há quem diga que no mundo
Não há pessoas especiais

O teu sorriso iluminou
O teu olhar encandeou
O meu pensamento foi o esperado
Quero ter-te sempre do meu lado

Nem que seja só como amiga
Ou fiel companheira
Pelo menos sei, sinto que já ganhei
Uma amiga para a vida inteira

Desculpa este meu desabafo
Em jeito de uma canção
Se gostares deste meu tema
Guarda-o bem junto ao coração


Como te disse escrevi este tema porque me és especial, em ti vejo tanto de mim que me custa a acreditar, aliás, esse é o mesmo sentimento: os pontos que nós temos em comum são imensos, no entanto acho que mais fácil o teu coração cabe no meu do que o meu no teu. Não importa, vou cantar-te esta canção quer tu queiras quer não... Lembro-me no dia em que a ouviste pela primeira vez (ainda ela não estava pronta) gostaste e até me mandaste mensagem no dia a seguir à noite quando te disse que estava a trabalhar nela:

- Estás a inspirar-te em quem? Adoro a forma como a estás a escrever, mesmo linda! Beijinhos!

Mal sabias que este iria ser um tema que nos unirá para sempre... Recordo-me do dia em que a completei finalmente, a 28 de Junho! Tenho o manuscrito na parede do meu quarto, no placard das recordações, onde guardo fotos minhas com os meus avós, com a minha irmã, fotografias da minha "Menina Mulher" e quatro autógrafos: Mafalda Veiga, Catarina Pereira, Filipe La Féria e Margarida Vila Nova. Quando viste o autógrafo da Mafalda disseste: UAU! Olhei para ti, sorri e disse:

- É a vantagem de ter trabalhado num hotel... Há sempre famosos que nos aparecem pela frente!

Em relação á tua letra: não há ninguém neste mundo que a conheça! Apenas tu e eu...

Capítulo 3 "Nunca pensei..."

Tanto se tem passado nestes últimos dias, tantas têm sido as conversas (por sms, porque ainda não tenho àvontade suficiente para te ligar) mas sinto que estamos cada vez mais próximos, mais cúmplices. E como tal, marcámos um cafézito para pôr a conversa em dia. Fui-te buscar a ti e ao teu mano e fomos para o nosso café de eleição, bem no centro da nossa cidade, longe de pensar o que viria depois...

O teu irmão estava com um nervosinho que não o conhecia mas não disse nada, continuámos a falar de música (claro!) e dos projectos que poderíamos vir a concretizar. A uma dada altura o teu irmão perguntou-me se eu te deixava em casa, e eu na minha "inocência" disse que sim. Abandonou-me! Literalmente fiquei só contigo naquele café central com vista para uma casa que eu prefiro não dizer o nome... Estava um pouco preocupado porque não sabia se haveria tempo para conversa decente ou se haveria conversa (assunto) para desenvolver. Comecei a falar contigo sobre o tempo em que andávamos na mesma escola, falámos do teu trabalho e dos meus passatempos, ainda não conhecias a minha cadela, mas já sabias da sua existência. A fotografia? Bem, isso viria mais tarde. A nossa amizade estava cada vez mais sólida e nada melhor do que uma boa conversa, seguida de uma confissão, diria, muito própria e pessoal. Quando te deixei à porta de casa encostaste o banco para trás e começámos a falar sobre o que te atormentava, não te vi daquele teu jeito: a sorrir e quis tentar perceber o que se passava. Uma das coisas que sempre gostei em ti era a capacidade de argumentação e àvontade para falar, mesmo de temas complicados e particulares. Falaste-me da doença do teu mano e a forma como tiveste e tens de lidar com ela. Contaste-me também um pouco do que tem sido a tua vida (e como ingrata tem sido!), falaste-me do teu ex-namorado e algumas coisas que ele te fez que convém não recordar e que querias muito esquecê-lo. Daquela noite recordo-me de tudo, mas ainda mais do momento em que uma lágrima desceu pelo teu rosto a agradecer-me pelo incrível amigo que eu tenho sido. Para tentar amenizar as coisas disse:

- Eu sou assim! Quando sou amigo de alguém sou a 200%!

Senti uma enorme vontade de te abraçar naquele momento mas depois parei um pouco para pensar (sempre disseste que esse foi um ponto menos positivo de mim, pensar demais) e achei que nesse momento precisavas do teu espaço, aquele tal, que tu não gostas que as pessoas invadam, mesmo que gostes dessa pessoa. Também senti vontade de chorar quando falámos sobre a minha vida e as saudades que eu tinha do meu avô (desde sempre vi em Ti uma parte dele) e por isso sinto-me bem a teu lado. Foi uma noite especial, e nunca pensei, que essa seria uma noite que mudaria para sempre a nossa história. Lembro-me que te dei um beijo mais prolongado na boxexa e desejei-te uma boa noite. Cheguei a minha casa (não morava longe de ti) e passado pouco tempo recebi uma mensagem tua a dizer:

"Obrigado por tudo! Desculpa ter chorado à tua frente mas a minha vida não tem sido fácil. Mas eu sei que em ti posso confiar, beijinhos"

Nessa noite disse a mim mesmo: Ela é mesmo especial! Vou fazer de tudo para a ajudar, sem dúvida, ela merece!